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A mostrar mensagens de outubro, 2005

Mónica

Estes dias assim trazem-me sempre recordações da Mónica, que usava óculos e eu sempre lhe disse que era por ler demasiado. Só deixámos de nos ver porque ela me trocou por um livro de um escritor italiano que ela jurava a pés juntos ser fantástico, e que não conseguia parar de ler. A Mónica, que tinha sido criada pelos avós, tivera desde pequena uma paixão assolapada pelo seu avô. Júlio era o seu nome e tinha uma divisão da casa a que chamava biblioteca, sem que esse compartimento tivesse mais elegância que uma dispensa de livros em que o pó se acumula, e que não lera nem metade deles. Tinha uma cultura excepcional, obviamente não sabia tudo, mas sempre que era confrontado com algo novo fazia questão de investigar. Os únicos livros que leu com verdadeiro gosto foram os volumes da enciclopédia: não tinha paciência para ler histórias, e não encontrava qualquer fonte de sabedoria nisso. A Mónica prometera a si mesma saber, pelo menos, tanto como o avô, e fazia-o da forma que o Avô Júli...

Luna Azul

A Dona Isabel, que insiste em ser tratada apenas por Isabel, intrigou-me logo no primeiro contacto sem que conseguisse perceber porquê. A Dona Isabel, que não consigo tratar apenas por Isabel, conquistou o meu respeito ao contra-argumentar as minhas rápidas impressões sobre aquela cidade estranha. Revelou-se uma encantadora e humilde conversadora. Disse-lhe que encontrara bastante desenvolvimento na cidade desde a minha última visita. Contestou: “Acha?”, com uma cortesia quase desarmante. Argumentei, ela contra-argumentou e sugeriu o café com laranja. Acabei por optar pelo café cigano que alguém me havia sugerido. Eventualmente, acabei por perceber que a Dona Isabel, melhor que ninguém, conhecia os seus cafés. As suas sugestões revelaram-se deliciosas combinações de café, algumas tão simples como um fantástico mazagrã. Ao longo dos dias, deixei-me perfumar com os aromas do café e do chocolate, todos feitos pela própria. A Dona Isabel, uma Mulher assim não pode ser só Isabel, fugiu ao D...
Gosto do café doce, o mais doce possível. Talvez porque não goste de café, como não gosto de coisas demasiado reais. Mas preciso de cafeína, mantém os sentidos despertos, exagera a dor. Bebo cinco cafés por dia, mas só nos dias em que não bebo mais. Deixei de me preocupar com a saúde no dia em que te conheci. Na verdade, deixei de me preocupar com tudo o que não estivesse de alguma forma relacionado contigo. Foi o que me valeu. Se não tivesses sido tu, ou melhor, se não tivesse sido o facto de me perder completamente em ti, tinha-me desmoronado. Porque a culpa aqui será sempre minha, fui eu que me deixei cair em tentação, fui eu que rejeitei a realidade. Tu não chegaste a aperceber-te de nada, o que também foi bom para mim. Assim, apenas bebia café (com muito açúcar) contigo e com tudo o mais imaginário possível. Gostava de te ter tido. Apenas para poder sentir, na pele, a dor de te perder. À qual juntaria seis, sete, ou mesmo oito cafés por dia. Não quereria perder pitada de algo ca...

dias que correm...

talvez possamos começar de novo...