4.7.11

insónia #1

Quando entras no bar e a vês ao longe a sorrir por ele lembras-te que não és só tu que tens um passado. E é aí que pensas que já chega, que já foi longe de mais. É aí que decides que não podes continuar assim. Fazes planos para mudar de cidade, de país e ficas no mesmo sítio porque sabes que não adianta fugir. Dizes já chega e durante dois ou três dias cumpres, não mais que isso. A necessidade de te enganares a ti mesmo é demasiado grande.

Acabas por te cruzar com ela, talvez ela te telefone, e és tu quem sorris por ela. Com algo tão simples como uma qualquer piada que vos seja familiar, que te faça sempre rir. Ou talvez seja pela forma como ela pronuncia aquela palavra. O certo é que quando dás por ti, acreditas que o passado foram apenas vocês os dois, e que tudo pode voltar a ser como foi. Mas não pode. Um dia vais ter que dizer já chega e vais ter que cumprir. Mas não hoje.

30.6.11

long story short

A história continua aqui:

http://twitter.com/diasquecorrem

18.4.11

long story short #13

Afinal, as grandes amizades, como os grandes amores, também acabam.

10.12.10

resignação

Não sei como explicar isto. É difícil perceber esta coisa a que chamam coração e que não é mais que uma amálgama de sentimentos. Dói mais assim. Não poder rasgar o peito e agarrar qualquer coisa até que pare. Dói mais assim. Há dias que parecem demasiado longos, outros demasiado curtos e é isso que os distingue. Acordo, adormeço (quase sempre com dificuldade), e dias há em que nada acontece pelo meio.

É uma dor generalizada. Sem que consiga distinguir onde mais dói. Se é ansiedade, melancolia ou paixão, não sei. Não é fácil. Não sei como explicar. Mas começo por isto: sinto uma permanente saudade de tudo. Do que passou e do que está para vir. Foi isso que me fez voltar. Foram as saudades daquilo que sentia quando bebíamos sumo de morango, em picnics improvisados no quintal de tua casa. E tu dizias: és irremediavelmente defeituoso. E sorrias. E agarravas-me a mão e dizias: mas tens bom coração. Parecias gostar de mim.

Quando o Outono chegou deixámos de nos encontrar. Ficou a saudade. Contigo era mais fácil: entendias-me melhor. Mesmo quando eu usava quarenta palavras para explicar aquilo para que bastava apenas uma. Ficou a saudade, ficou a dor indistinguível que arrasta as horas, e apenas duas coisas para entreter o coração: a esperança de voltar ao que tive e a resignação de não o poder fazer.

7.12.10

long story short #12

Digo-te adeus. Outra vez. Sabendo que, tal como antes, não vais reparar.

18.2.10

Café. Banho. Talvez o banho primeiro. Disseste: fica só mais uns minutos. Trocámos dois ou três beijos que não contei para não parecerem poucos. Passei a mão pelo teu braço, à procura daquela tua marca de nascimento, para ter a certeza que estava acordado. Que eras tu. Disseste: já podes ir, é aqui que o fim começa. Perguntaste sem deixar de olhar a parede: o que ficou por dizer? Respondi: o fim começou muito tempo tempo antes de nós.

round here

21.12.09

Cai e cai

«Depois de cada erro, juras que não voltarás a cair noutra, mas errarás sempre que te conseguires recompor do erro anterior.»

-

4.12.09

the more things change, the more they stay the same

Era capaz de jurar que a certa altura dissemos para sempre e que isso foi o princípio do fim. Era capaz de jurar que não foi mais que um piscar de olhos entre a eternidade e o fim. Até um dia, daqui a muito tempo, numa rua de Tóquio ou qualquer outro sítio do mundo. Foi assim. Sem mais. Porque é assim que tudo acaba. Sem mais. Eu sei. Parece que o tempo parou. Que tudo mudou e ficou na mesma. Sem espaço para duvidar da lógica ou da falta dela.

Parei o carro à porta de tua casa, e tu entraste. Como sempre. Bebemos café, bebemos vinho, sentámo-nos à mesa, no sofá. Apagámos o tempo. Como se tivesse parado no momento em que te disse adeus. O vazio que parecia esquecido preencheu-se. Como se o lugar nunca tivesse deixado de ser teu, ainda que os sentimentos sejam outros. A única coisa a que me posso agarrar é saber que ocupas demasiado espaço em mim para te poder ter na minha vida sem ser por inteiro. E não sei o que fazer com isso.