7.7.08

Quero matar-te. Estou apaixonado. É a pior que me pode acontecer. O que quer que seja é o primeiro passo para o fim de tudo. Acontece sempre demasiado cedo e é como uma bomba. Destrói tudo. Começa em mim e depois propaga-se. Só pára quando nada mais restar que não nós. Não sou assim. Estou apaixonado. Não consigo evitar este desejo de tudo incendiar. Não dá. Mais vale esquecer. Não dá. O corpo já não aguenta o coração. Senta-te aí. Enche o copo. Acende um cigarro. Estás confortável? Óptimo. Sabes o que tens a fazer. Tens-me acorrentado e só tens que puxar o gatilho. Não sei como isto foi acontecer. Sabes o que tens a fazer. Diz-me que nunca mas nunca mesmo. E não me digas que nunca é demasiado forte. Puxa o gatilho. Não sabes? Claro que sabes. No teu coração não há lugar para mim. Puxa o gatilho. Vá, tu consegues. Porquê a hesitação? Bebe mais um copo, dois. Embebeda-te terrivelmente e que isso te sirva de desculpa. Mata-me. Anda lá. Chorar é para os fracos. Não consegues? Porquê? Mata-me de uma vez, porra! É o que dói mais. Esta indefinição de nunca sermos capazes de nos matar. Esta explosão contida mil vezes a consumir o oxigénio. O coração histérico. Eu não sou assim. Estou apaixonado. É o fim de tudo.