2.2.04

sentado no meu canto olho à minha volta. não falo porque sei que se o fizer acabarei chorando. a minha boca é a última barreira contra as lágrimas. se falar estarei a libertar os fantasmas que trago dentro de mim. os fantasmas que tanto amo e que não quero que se escapem. eu sei, basta uma palavra para que tudo termine, basta um não para que tudo desapareça. a tristeza. a solidão. as noites sem sono. não que isso possa mudar o passado, apenas me trará o caminho para a felicidade. algo que temo profundamente. tenho medo de voltar a ser feliz por poder afundar no tenebroso silêncio sentimental da depressão. e tenho medo da noite, tanto medo da noite como de mim mesmo.

quando o sol se põe e a cidade acalma é como se eles estivessem mais próximos. as suas vozes ecoam no silêncio. amo-os e nada consigo fazer contra isso. se, por acaso, me perguntarem se amo alguém digo que não. como irei eu explicar que amo os fantasmas que carrego na alma?

hoje cansei-me. quis dormir. quis sorrir. disse não! e os fantasmas partiram. chorei, até adormecer. quando acordei senti-me vazio, continuei triste. tinha saudades do meu amor que tinha partido...