13.2.04

entro e sento-me no autocarro ao lado de uma qualquer pessoa, às vezes nem me chego a sentar, coloco-me no autocarro estrategicamente para que te possa observar às escondidas, sem que me vejas, não sei quem és, não quero saber quem és, tem muito mais piada assim, quando consegues escapar do livro que tens nas mãos e que lês lanças um olhar pelo autocarro, procuras alguém conhecido, alguém sobre quem chegues a casa e te deites na cama e te ponhas a pensar nela, todas as semanas mudas de livro, hoje estás a ler o meu livro preferido, hesitei em falar-te, em dizer-te olá, mas não quero destruir a ilusão que és feita para mim, que és a minha outra parte, assim posso pensar-te como quiser, és a mulher perfeita para mim, és como eu quiser que sejas, como eu te sonhar, és um anjo que torna a viagem de autocarro menos irritante, mais interessante, num jogo de escondidas dos nossos olhares que quando se cruzam timidamente se escondem. um dia sorriste, para mim, ou pelo menos assim quis pensar, eu sorri também para ti, mas acho que só a velhota que estava ao teu lado é que viu, ela também sorriu…

mas depois sais do autocarro, sigo-te com o olhar até o autocarro dobrar a esquina, apaixonei-me por ti sabendo nada sobre ti… estranha paixão…