16.2.04

bebo o café como bebo a vida, de um trago só para o amargo ser menor. penso na carta que te escrevi e nunca chegaste a ler porque nunca cheguei a mandar. não sei se consigo perdoar. a ti e a mim. não sei se ainda te amo. não quero recordar as discussões demasiado acesas. as acções demasiado pesadas. o amor e o orgulho. a dor de saber que te estava a perder. fui aos correios e voltei para casa e queimei a carta. não pensei mais em ti, até agora.

hoje, ao abrir uma gaveta, encontrei as cartas que trocávamos. comecei a escrever-te uma carta que não acabei. talvez voltes um dia e a acabes. ficaste no pensamento mesmo que agora seja tudo diferente. não te esqueço, não sou capaz, não quero. sei que se pudesse voltar a ver-te pela primeira vez, como se todo aquele passado não existisse, como se as formas do teu corpo e do teu olhar não ressuscitassem algo que já não existe. se pudesse apagar o passado, sem dúvida, amar-te-ia de novo...