1.1.04

Hoje disse basta. Disse-te que não te queria voltar a ver. Nunca mais. Hoje deixei para trás todos os teus jogos. Não sou mais brinquedo. Não sou mais aquilo que tu querias que eu fosse. Hoje a vida ensinou-me. Hoje disse basta. Disse não. Disse tudo aquilo que nunca tive coragem de dizer. Tudo aquilo que deixei por dizer. Hoje matei-te em mim. Hoje vi-te desfazer à minha frente. Suplicando. Hoje percebeste, finalmente, que me destruíste, que me impediste de viver e me prendeste a algo que eu sempre soube que jamais poderia resultar. Ser feliz. Contigo.

Hoje os meus medos fizeram-se verdade. Coragem. Surgiu no momento em que te disse não. No momento em que te disse amanhã quando acordar não te quero ver em minha casa nem sequer te quero voltar a ver. Apaguei o teu número. Esqueci o teu nome. Para sempre. Foi assim. Hoje acordei e percebi. Hoje abri os olhos e acordei. Para a realidade. Para tudo aquilo que nunca consegui ver porque tu não deixavas.

Agora és tu que rastejas porque me queres, agora és tu que sofres por mim, porque o que achaste que não aconteceria nunca, aconteceu. Manipulação. Perdeu o seu efeito. Não, já te disse que não. Não vale a pena chorares. Vai embora. Sabes onde fica a porta. Sabes que tudo isso vai acabar quando saíres desta casa. Quando encontrares outro eu para brincar. Mas eu não. Acabou.

A revolta agora é minha, quem manda sou eu. Não te quero ver. Não quero saber de ti. Nada. Matei-te em mim. Morreste. Quando saíres não me vou arrepender. Não vou chorar. Sei que fiz o que tinha que ser feito. A derrota agora é tua. Xeque-mate. Perdeste. Lamento. Por mim. Por todos os minutos de vida que desperdicei. Por todos os sóis que vi porem-se em que não pensei em outra pessoa ou outra coisa. Por tudo aquilo que me fizeste sofrer. Por todas as noites em que não dormi. Por todas as coisas que não fiz por estar deitado a pensar em ti. Adeus. Porque agora tenho a certeza que estou vivo. Mata-me. Em ti.