30.12.03

Se toda esta situação fizesse sentido eu saberia como reagir. Mas não faz. Por isso fiz as malas e fui para uma pensão barata passar a noite. Deixei-te mensagem no antendedor de chamadas com o nome, morada e número de telefone da pensão, acrescentei uma curta explicação de como lá chegar. Tudo muito bem explicado para o caso de me quereres procurar.

Pouso o telemóvel na mesa de cabeceira, dispo a camisa e deito-me na cama a ver televisão, enquanto isso penso. Ponho de parte os pensamentos e adormeço. Passei a noite à espera, dormindo. Acordei e fui à procura de um café para tomar o pequeno-almoço. No caminho pensei em ti. Como me deste a volta à cabeça quando te conheci. Como me fizeste abdicar de tudo aquilo por um só beijo teu. Tudo correu bem. Até dizeres que querias casar comigo e eu dizer-te que não podia.

Um café e uma torrada, por favor. Ao fim da manhã quando começava a desesperar telefonaste. Pensei em matar-te mas não o fiz. Perguntaste-me onde estava e eu disse-te exactamente onde. Trazias vestido um sorriso que, a princípio, me reconfortou mas depois me preocupou. Sentaste-te e começaste a falar.

Como se não soubesses que isso me desfaz por dentro começaste a falar de todos os hoomens que levaste para a cama e os que não levaste mas quiseste levar. Opto por dar-te ainda mas razões para julgares que nao me importo mesmo. Continuas a falar. Como se fosse algo que realmente me interessasse disponibilizo-me para conhecer o teu mais recente namorado.

Sei que me vai doer, mas é mais fácil quando o ciúme tem uma forma física. É melhor para o ego quando podemos destruir na imaginação aquela pessoa ridícula que nos roubou o que julgamos nosso. Para mim é melhor assim.