Os acontecimentos decorrem ao longo do tempo como consequência de uma qualquer causa. Começam e acabam em momentos facilmente identificáveis. Parece simples, não parece? Mas não é. Há sempre algo que nos faz voltar, e a saudade não explica tudo. Provavelmente não explica absolutamente nada. De nós, ficou o silêncio que nos era tudo (e que agora é mesmo tudo). Um fosso intransponível. Sei cada vez menos, como qualquer outro. Acumulo memórias que não arquivo devidamente. Prendo-as às coisas para que não desapareçam e agarro-me ao que fomos. É a única forma de esquecer o que hoje somos. É a solução mais saudável, a única forma de continuar. É um bicho estranho, o humano. Somos, ou éramos, ou fomos. Confundo facilmente os tempos verbais quando falo de ti. Em pensamento é menos confuso. Somos, perdão, fomos perfeitos. Em tudo: nos sorrisos, nos abraços, nos risos, nas palavras, nos momentos, nas conversas noite fora e dia também, nos filmes, na música. Fomos mais do mesmo e soubemo-nos bem ...