Os seus encontros seguiam um estranho ritual, eram uma celebração daquilo para que não conseguiam encontrar palavras. Deitavam-se, lado a lado, muito juntos, muito abraçados. Trocavam beijos ocasionais enquanto mudavam de assunto, como quem muda de disco e, naqueles segundos de silêncio, mal pode esperar pelo que vem a seguir. Até o sono se tornar incontrolável, falavam. De tudo, dos fantasmas do passado e do presente, dos medos, dos sonhos e desilusões. Falavam de coscuvilhices e de assuntos sem assunto. Mas, acima de tudo, conheciam-se. Devoravam-se mutuamente como se nunca se tivessem conhecido nos anos em que se conheceram. Até que adormeciam, lado a lado, muito juntos, muito abraçados. Como se desde sempre dormissem assim. Com uma naturalidade que o facto de apenas se estarem a descobrir não parecia possibilitar. Ele acordava primeiro, sempre primeiro que ela, adormecia sempre depois. Deixava-se ficar, com o braço em volta do corpo dela, sentindo-a ali. Certificando-se que não e...
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A mostrar mensagens de março, 2006