4.12.09

the more things change, the more they stay the same

Era capaz de jurar que a certa altura dissemos para sempre e que isso foi o princípio do fim. Era capaz de jurar que não foi mais que um piscar de olhos entre a eternidade e o fim. Até um dia, daqui a muito tempo, numa rua de Tóquio ou qualquer outro sítio do mundo. Foi assim. Sem mais. Porque é assim que tudo acaba. Sem mais. Eu sei. Parece que o tempo parou. Que tudo mudou e ficou na mesma. Sem espaço para duvidar da lógica ou da falta dela.

Parei o carro à porta de tua casa, e tu entraste. Como sempre. Bebemos café, bebemos vinho, sentámo-nos à mesa, no sofá. Apagámos o tempo. Como se tivesse parado no momento em que te disse adeus. O vazio que parecia esquecido preencheu-se. Como se o lugar nunca tivesse deixado de ser teu, ainda que os sentimentos sejam outros. A única coisa a que me posso agarrar é saber que ocupas demasiado espaço em mim para te poder ter na minha vida sem ser por inteiro. E não sei o que fazer com isso.

25.11.09

lovestain

You left a lovestain on my heart
And you left a bloodstain on the ground

But blood comes off easily

You left my heartstained.

Jose Gonzalez - Lovestain
(álbum: Veneer)

13.11.09

long story short #11

Bem sei. Não é fácil entender a resposta que tenho para te dar. Não é fácil as pessoas entenderem-se umas às outras seja como for. Pediste-me que te dissesse a melhor coisa que se pode dizer a alguém. E dizer-te que cá dentro tudo estremece quando estás por perto de nada serve. Porque por fora tudo se mantém igual.

paris je t'aime - faubourg saint-denis


É repetido, eu sei. Mas não me canso.

9.11.09

ad #1 - vespa: hated

(click na imagem para ver no tamanho original)

29.10.09

long story short #10

Nos corredores as pessoas cumprimentam-se sempre que se cruzam. Não por simpatia. Mas por automatismo.

6.10.09

long story short #9

Parece um ataque cardíaco. Mas não é. É o coração sem saber o que sentir. O irónico é que também não tem qualquer controlo sobre isso. Fica só ali, a bater ora para a esquerda, ora para a direita. A querer sair do sítio, mas sem nunca realmente sair.

15.6.09

long story short #8

Um dia, vais chegar a casa e ver um corpo caído no chão. Vais largar os sacos que trazes nas mãos e ouvir qualquer coisa a partir-se. Vais correr para o corpo e verificar a respiração, a pulsação. Só quando tiveres a certeza que o corpo não dá quaisquer sinais vais poder respirar de alívio.

long story short #7

Ela chegou e disse: não aguento mais, vou morrer. Ele encostou-se para trás na poltrona, sorriu e respondeu: o problema é que não vais.