Ele precisava de sentir saudades para realmente gostar de alguém, ou precisava de gostar realmente de alguém para sentir saudades. Das duas, uma.
5.5.09
2.5.09
1.5.09
long story short #4
Há um monstro que caminha pela casa. Muito mais morto que vivo. Obriga-me a repetir tudo o que digo. Não faz sentido que, de todas as coisas, a que mais me cansa seja dizer a mesma coisa uma e outra vez.
29.4.09
long story short #3
Ela ria-se das suas próprias desgraças, ria-se para afugentar a dor. Ninguém levava a sua dor a sério.
personal remark #6
Eu juro que estou a ganhar coragem para escrever. Não sei se tenho medo de não conseguir, ou se esse medo se resume a não gostar do resultado. Tenho lido. Pouco, muito menos do que devia, mas sempre é melhor que a média de nenhuma página por dia de há algumas semanas atrás. Se calhar não tem razão nenhuma de ser. Se calhar é a vida a começar e a bloquear tudo o resto. Talvez não volte a escrever como dantes, ainda que prefira acreditar que sim, que isto é só um arrufo com esta coisa das palavras. Mas se me perguntassem agora se conseguiria passar o resto da minha vida sem escrever, provavelmente responderia de forma diferente de todas as outras vezes: se calhar consigo.
4.4.09
long story short #2
As recordações de um amor cabem sempre numa caixa. E não sei o que dói mais: se a ausência ou o tamanho da caixa.
long story short #1
Telefonei a um amigo teu. Para me sentir mais próximo, ou para ensaiar a coragem de dizer que já perdoei.
20.3.09
Catarse #1
Acordo todos os dias com a desilusão de ainda ser eu. Não preciso de espelhos que mo digam quando sei que vou encontrar a mesma cara cansada, as olheiras a escorrerem pela cara. É acordar de um coma. Quem sou? Onde estou? Foda-se! Sou eu. No mesmo quarto, na mesma cama, a parede tingida de vermelho que podia muito bem ser sangue se ao menos pudesse arrancar o meu próprio coração com as mãos. Foda-se! Sou eu, ainda eu, sempre eu. E nada faz sentido, é sempre a mesma falta de ar, é mergulhar e não conseguir vir à tona, os pulmões em espasmos exaltados, o coração a rir-se a pensar que é desta. Depois acordo, sossego para a seguir se soltar a debandada nas veias. O coração a rir-se, a saltar do lugar, a ir para a cabeça e a esmagar o cérebro, o coração a fazer o que quer e a não me deixar fazer nada. Órgão ridículo este que nos mantém vivos quando queremos morrer. Sempre a contradizer, a contrariar, a obrigar-nos ao torpor da esperança. Foda-se! Sou eu. Eu. Eu. Ainda eu. Só por um dia, um único dia, gostava de não o ser, descansar de mim em mim. Sobreviver ao cansaço. Porque a esperança espera e nunca desespera.
Acordo todos os dias com a desilusão de ainda ser eu. E não sei explicar o choque de me reconhecer sem que pareça ridículo. Como poderia não ser eu? Pois, eu sei. Mas a esperança é uma cabra e diz-me ao ouvido que um dia vou acordar outro. Podes rir-te, eu também me rio. E a seguir choro, e a seguir grito, e a seguir conformo-me com o destino, digo que hoje vou tentar ser melhor só para me enganar e aguentar até dormir. Se conseguir. Eu não quero não ser eu, quero não acordar. Quero sonhar este sonho: um dia acordo e não sou eu, sou outra pessoa, com outros problemas, com outra vida, gostar de não gostar de nada, não sentir, não pensar, enfim, ser estúpido. É que isto já cansa, porra! As mesmas lágrimas pelas mesmas razões, os mesmos raciocínios ilógicos disfarçados de coerentes e irrefutáveis. Mas lá me vou aguentando. É o que se quer, não é? É o que tem de ser.
Acordo todos os dias com a desilusão de ainda ser eu. E não sei explicar o choque de me reconhecer sem que pareça ridículo. Como poderia não ser eu? Pois, eu sei. Mas a esperança é uma cabra e diz-me ao ouvido que um dia vou acordar outro. Podes rir-te, eu também me rio. E a seguir choro, e a seguir grito, e a seguir conformo-me com o destino, digo que hoje vou tentar ser melhor só para me enganar e aguentar até dormir. Se conseguir. Eu não quero não ser eu, quero não acordar. Quero sonhar este sonho: um dia acordo e não sou eu, sou outra pessoa, com outros problemas, com outra vida, gostar de não gostar de nada, não sentir, não pensar, enfim, ser estúpido. É que isto já cansa, porra! As mesmas lágrimas pelas mesmas razões, os mesmos raciocínios ilógicos disfarçados de coerentes e irrefutáveis. Mas lá me vou aguentando. É o que se quer, não é? É o que tem de ser.
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