1.5.09

long story short #4

Há um monstro que caminha pela casa. Muito mais morto que vivo. Obriga-me a repetir tudo o que digo. Não faz sentido que, de todas as coisas, a que mais me cansa seja dizer a mesma coisa uma e outra vez.

29.4.09

short film #2 - on time

on time by ted chung

Click Here to View The Video Titled: On Time
Clique na imagem para ver o vídeo.

long story short #3

Ela ria-se das suas próprias desgraças, ria-se para afugentar a dor. Ninguém levava a sua dor a sério.

personal remark #6

Eu juro que estou a ganhar coragem para escrever. Não sei se tenho medo de não conseguir, ou se esse medo se resume a não gostar do resultado. Tenho lido. Pouco, muito menos do que devia, mas sempre é melhor que a média de nenhuma página por dia de há algumas semanas atrás. Se calhar não tem razão nenhuma de ser. Se calhar é a vida a começar e a bloquear tudo o resto. Talvez não volte a escrever como dantes, ainda que prefira acreditar que sim, que isto é só um arrufo com esta coisa das palavras. Mas se me perguntassem agora se conseguiria passar o resto da minha vida sem escrever, provavelmente responderia de forma diferente de todas as outras vezes: se calhar consigo.

4.4.09

long story short #2

As recordações de um amor cabem sempre numa caixa. E não sei o que dói mais: se a ausência ou o tamanho da caixa.

long story short #1

Telefonei a um amigo teu. Para me sentir mais próximo, ou para ensaiar a coragem de dizer que já perdoei.

20.3.09

Catarse #1

Acordo todos os dias com a desilusão de ainda ser eu. Não preciso de espelhos que mo digam quando sei que vou encontrar a mesma cara cansada, as olheiras a escorrerem pela cara. É acordar de um coma. Quem sou? Onde estou? Foda-se! Sou eu. No mesmo quarto, na mesma cama, a parede tingida de vermelho que podia muito bem ser sangue se ao menos pudesse arrancar o meu próprio coração com as mãos. Foda-se! Sou eu, ainda eu, sempre eu. E nada faz sentido, é sempre a mesma falta de ar, é mergulhar e não conseguir vir à tona, os pulmões em espasmos exaltados, o coração a rir-se a pensar que é desta. Depois acordo, sossego para a seguir se soltar a debandada nas veias. O coração a rir-se, a saltar do lugar, a ir para a cabeça e a esmagar o cérebro, o coração a fazer o que quer e a não me deixar fazer nada. Órgão ridículo este que nos mantém vivos quando queremos morrer. Sempre a contradizer, a contrariar, a obrigar-nos ao torpor da esperança. Foda-se! Sou eu. Eu. Eu. Ainda eu. Só por um dia, um único dia, gostava de não o ser, descansar de mim em mim. Sobreviver ao cansaço. Porque a esperança espera e nunca desespera.

Acordo todos os dias com a desilusão de ainda ser eu. E não sei explicar o choque de me reconhecer sem que pareça ridículo. Como poderia não ser eu? Pois, eu sei. Mas a esperança é uma cabra e diz-me ao ouvido que um dia vou acordar outro. Podes rir-te, eu também me rio. E a seguir choro, e a seguir grito, e a seguir conformo-me com o destino, digo que hoje vou tentar ser melhor só para me enganar e aguentar até dormir. Se conseguir. Eu não quero não ser eu, quero não acordar. Quero sonhar este sonho: um dia acordo e não sou eu, sou outra pessoa, com outros problemas, com outra vida, gostar de não gostar de nada, não sentir, não pensar, enfim, ser estúpido. É que isto já cansa, porra! As mesmas lágrimas pelas mesmas razões, os mesmos raciocínios ilógicos disfarçados de coerentes e irrefutáveis. Mas lá me vou aguentando. É o que se quer, não é? É o que tem de ser.

13.2.09

short film #1 - A Thousand Words


A Thousand Words from Ted Chung on Vimeo.

Obrigado, #1*

23.1.09

Save Miguel

6.1.09

Entre aqueles dois quadros, consigo imaginar o desenho que me desenhaste e nunca chegaste a oferecer. Mas ainda me lembro dele. Do desenho em si apenas de forma vaga. Um esboço do teu esboço. Lembro-me de mo mostrares ao longe, porque “de perto notam-se as imperfeições”. Disseste: vou fazer outro, melhor. Mal nos conhecíamos, e digo isto como se hoje fosse diferente, como se nos conhecêssemos melhor. É mais fácil assim. Na verdade, ninguém pode conhecer quem seja para além de si mesmo, nem isso. É mais fácil, tudo o que vá mais além é assustador, o que não é difícil. Quase tudo me apavora terrivelmente. O amor é uma dessas coisas, mas não vem a propósito. Poupamos trabalho e dedicamo-nos a outros desafios.

Gostava de poder ter esse desenho na parede. Hoje, resto único daquilo que poderíamos ter sido e nunca fomos e ainda bem. Talvez preenchesse um outro vazio qualquer que não o que tu deixaste. Afinal, funcionamos todos assim: compensamos umas coisas com as outras e chegamos ao fim e não fizemos nada porque sim. Faz parte, não é? Somos um puzzle de peças encaixadas fora de lugar: forçadas, encravadas, e no fim não corresponde ao desenho da caixa, vá-se lá entender porquê.

Um dia foste embora e não nos despedimos sequer, não era preciso. Nunca nos uniu mais do que a sorte que une dois estranhos com lugares aleatoriamente juntos no comboio. Mas hoje, ao olhar para a parede em branco, lembrei-me de ti. E lembrei-me de muito mais do que gostava de ser capaz.

12.12.08

choque frontal

"talvez continue tão perdida como me apercebi que estava e que agora exista um medo paralisante de me encontrar e não gostar de quem sou."

2.12.08

a morte pelo meio

Não sei bem por onde começar. Quando a monotonia se instala durante algum tempo, a tendência é para que depois aconteça tudo de uma vez. O coração quase que pára, mas não. Ainda não é desta. As pessoas morrem de muitas formas, outras nunca morrem. Death and taxes. Mas nem isso. Cada vez tenho menos certezas e ainda bem. Começo a gostar.

Percebo pouco sobre a vida, e ainda menos sobre o amor. Sou sozinho, e a paixão tem por hábito trazer ao de cima o pior em mim. Nunca percebi esta contradição. Ando por aí à deriva e não me sinto perdido. Um passo a seguir ao outro. Sem mais a acrescentar. Estranho? Talvez. Mas nem por isso confuso. As coisas sucedem-se, umas depois das outras sem dar tempo para respirar. Saí de casa, voltei quando a tempestade passou. A morte pelo meio.

tear you apart*





*she wants revenge

21.11.08

days with my father


O coração contorce-se em cada imagem, as lágrimas quase que deslizam pela cara: aqui.

agradecimento

Obrigado a todos os que por aqui vão passando e comentando apesar da inconstância deste blog.

Obrigado.

=) [ ] *

causa-consequência

Os acontecimentos decorrem ao longo do tempo como consequência de uma qualquer causa. Começam e acabam em momentos facilmente identificáveis. Parece simples, não parece? Mas não é. Há sempre algo que nos faz voltar, e a saudade não explica tudo. Provavelmente não explica absolutamente nada. De nós, ficou o silêncio que nos era tudo (e que agora é mesmo tudo). Um fosso intransponível.

Sei cada vez menos, como qualquer outro. Acumulo memórias que não arquivo devidamente. Prendo-as às coisas para que não desapareçam e agarro-me ao que fomos. É a única forma de esquecer o que hoje somos. É a solução mais saudável, a única forma de continuar. É um bicho estranho, o humano.

Somos, ou éramos, ou fomos. Confundo facilmente os tempos verbais quando falo de ti. Em pensamento é menos confuso. Somos, perdão, fomos perfeitos. Em tudo: nos sorrisos, nos abraços, nos risos, nas palavras, nos momentos, nas conversas noite fora e dia também, nos filmes, na música. Fomos mais do mesmo e soubemo-nos bem assim. Faltou-nos o mais importante: gostar. Gostar um do outro como se nada mais houvesse para gostar. Ou simplesmente gostar: como quem gosta mais da manhã ou da noite. Fomos mais do mesmo e soubemo-nos bem assim. Enquanto durou.

Há sempre algo que nos faz voltar. Se é que se pode voltar a algo que nunca chegámos a acabar. A saudade não explica nada. Quando nada mais sobra, quando tudo parece perdido e só nos temos a nós somos (éramos, desculpa, mas não podemos continuar assim) o oásis que nos esconde do mundo. Depois endireitamos os ombros, erguemos a cabeça, olhamos à volta e os dias já não são tão escuros. Enchemo-nos de força e deixamos de nos achar tão perfeitos assim. Afinal, nem sequer gostamos. Mas, bem sei, acabamos por voltar. É irresistível. A saudade não explica nada.

20.11.08

paris je t'aime



excerto do filme "Paris Je T'aime" intitulado "Faubourg Saint-Denis".

28.10.08

não és tu, sou eu.

Tiras-me o coração do sítio. Às vezes pergunto-me se valerá a pena. Os suspiros afiados, isto é. As noites que se estendem até ser dia. Os dias a subtraírem-se uns aos outros e talvez me façam falta depois. Não sei para onde vou. São quase oito da noite e é possível que me tenha enganado no caminho para casa. Os dias estão mais curtos e há algo de reconfortante nisso.

Pousei as malas que não tenciono desfazer. Descalcei-me. Espero ter trazido tudo excepto o coração. Faz-me esse último favor: guarda-o até conseguir arranjar-lhe de novo espaço no peito. Não quero confundir depressão com melancolia. Por enquanto não. Ainda é cedo para viver e não vale a pena ter pressa em voltar. Talvez esconda as malas num armário para não me lembrar delas, talvez as deite fora. Tiras-me o coração do sítio.

Talvez vá a Paris. Talvez aprenda finalmente a tocar piano. Gostava de saber cantar. Ou dançar. Um dia talvez comece de novo. Não olhaste para trás quando te despediste. Disse-te: não és tu, sou eu. Acho que te disse: conheci outra pessoa. E podia ter dito qualquer coisa que te fizesse não voltar atrás. Preciso da solidão mais que tudo. Agora tenho dúvidas. Talvez me arrependa. Talvez não. Por via das dúvidas, acendo um cigarro que me sabe mal. Disse-te: não és tu, sou eu. E sou mesmo. Nem os pés contra o chão de madeira me demovem disso. No meio do caos há pessoas diferentes das outras. Produtos defeituosos com excesso de coração e pensamento. Sim, vivo demasiado em mim e às vezes não tenho espaço para mais ninguém. Não és tu, sou eu. Tenho mais prazer numa vida imaginada – em ilusões, sonhos que nunca passam disso mesmo, em antecipações de qualquer coisa que pode acontecer –, que nas coisas demasiado reais. Talvez um dia comece de novo e seja diferente.

Mas, sabes, o problema é que são muito poucos os inícios que valem a pena continuar. A primeira vez é sagrada. E sempre melhor. Insistir é apenas a tentativa de regressar a algo que jamais se pode voltar a sentir. Não vale a pena. Na maior parte das vezes nem é preciso começar. O melhor é sempre a incerteza do que está para acontecer. A dúvida de que possa acontecer. É a adrenalina e sei lá que hormonas mais a acelerar pelas veias feitas auto-estradas. A expectativa. Aqueles últimos dois segundos antes do primeiro beijo. Sim, também me pareceram pelo menos trinta segundos quando nos beijámos a primeira vez: tínhamos ido ver um filme francês, passado em Montmartre, quis mostrar-te aquelas ruas antes de te levar lá. Repetimos a sucessão de beijos da cena: na bochecha, no pescoço, no olho. Primeiro eu a ti, depois tu a mim. Só então os lábios se tocaram. No final, sorrimos e saímos de mãos dadas. Mas isso foi antes.

O problema é parar. É um vício que nos assalta o cérebro. Valemo-nos de tudo para não esquecer aquilo que procuramos e, ainda assim, acabamos sempre cair exaustos sem saber o que procuramos ao certo. O problema é começar de novo: encaixar o coração de volta e partir à procura daquilo que nunca existiu.

Disse-te: não és tu, sou eu. Agora tenho dúvidas. Talvez me arrependa. Talvez não. Esperei junto ao telefone que ligasses só para não atender. Esfreguei os pés um no outro. Tenho saudades. Talvez me arrependa. Talvez não. O que eu não esperava é que tu soubesses que nada me fará mudar de ideias. Agora não importa. É demasiado tarde e as intenções não contam para nada.

31.7.08

adeus

As despedidas surgem sempre fora de tempo.











adeus.

20.7.08

Talvez seja melhor assim. Sem palavras pesadas e mergulhados em silêncio. Eu viro costas e tu também. Os caminhos separam-se num até já e com demasiado por dizer. Não vale a pena insistir. Digo-te que vou comprar tabaco, que vou ter que ficar a trabalhar até tarde. Qualquer coisa simples. Que se perceba que é mentira, mas que seja incontestável. Se chegámos até aqui foi por mero acaso. Uma coincidência delimitada no espaço e no tempo. Nada nos empurra para a frente. Talvez seja melhor assim.