4.4.09

long story short #2

As recordações de um amor cabem sempre numa caixa. E não sei o que dói mais: se a ausência ou o tamanho da caixa.

long story short #1

Telefonei a um amigo teu. Para me sentir mais próximo, ou para ensaiar a coragem de dizer que já perdoei.

20.3.09

Catarse #1

Acordo todos os dias com a desilusão de ainda ser eu. Não preciso de espelhos que mo digam quando sei que vou encontrar a mesma cara cansada, as olheiras a escorrerem pela cara. É acordar de um coma. Quem sou? Onde estou? Foda-se! Sou eu. No mesmo quarto, na mesma cama, a parede tingida de vermelho que podia muito bem ser sangue se ao menos pudesse arrancar o meu próprio coração com as mãos. Foda-se! Sou eu, ainda eu, sempre eu. E nada faz sentido, é sempre a mesma falta de ar, é mergulhar e não conseguir vir à tona, os pulmões em espasmos exaltados, o coração a rir-se a pensar que é desta. Depois acordo, sossego para a seguir se soltar a debandada nas veias. O coração a rir-se, a saltar do lugar, a ir para a cabeça e a esmagar o cérebro, o coração a fazer o que quer e a não me deixar fazer nada. Órgão ridículo este que nos mantém vivos quando queremos morrer. Sempre a contradizer, a contrariar, a obrigar-nos ao torpor da esperança. Foda-se! Sou eu. Eu. Eu. Ainda eu. Só por um dia, um único dia, gostava de não o ser, descansar de mim em mim. Sobreviver ao cansaço. Porque a esperança espera e nunca desespera.

Acordo todos os dias com a desilusão de ainda ser eu. E não sei explicar o choque de me reconhecer sem que pareça ridículo. Como poderia não ser eu? Pois, eu sei. Mas a esperança é uma cabra e diz-me ao ouvido que um dia vou acordar outro. Podes rir-te, eu também me rio. E a seguir choro, e a seguir grito, e a seguir conformo-me com o destino, digo que hoje vou tentar ser melhor só para me enganar e aguentar até dormir. Se conseguir. Eu não quero não ser eu, quero não acordar. Quero sonhar este sonho: um dia acordo e não sou eu, sou outra pessoa, com outros problemas, com outra vida, gostar de não gostar de nada, não sentir, não pensar, enfim, ser estúpido. É que isto já cansa, porra! As mesmas lágrimas pelas mesmas razões, os mesmos raciocínios ilógicos disfarçados de coerentes e irrefutáveis. Mas lá me vou aguentando. É o que se quer, não é? É o que tem de ser.

13.2.09

short film #1 - A Thousand Words


A Thousand Words from Ted Chung on Vimeo.

Obrigado, #1*

23.1.09

Save Miguel

6.1.09

Entre aqueles dois quadros, consigo imaginar o desenho que me desenhaste e nunca chegaste a oferecer. Mas ainda me lembro dele. Do desenho em si apenas de forma vaga. Um esboço do teu esboço. Lembro-me de mo mostrares ao longe, porque “de perto notam-se as imperfeições”. Disseste: vou fazer outro, melhor. Mal nos conhecíamos, e digo isto como se hoje fosse diferente, como se nos conhecêssemos melhor. É mais fácil assim. Na verdade, ninguém pode conhecer quem seja para além de si mesmo, nem isso. É mais fácil, tudo o que vá mais além é assustador, o que não é difícil. Quase tudo me apavora terrivelmente. O amor é uma dessas coisas, mas não vem a propósito. Poupamos trabalho e dedicamo-nos a outros desafios.

Gostava de poder ter esse desenho na parede. Hoje, resto único daquilo que poderíamos ter sido e nunca fomos e ainda bem. Talvez preenchesse um outro vazio qualquer que não o que tu deixaste. Afinal, funcionamos todos assim: compensamos umas coisas com as outras e chegamos ao fim e não fizemos nada porque sim. Faz parte, não é? Somos um puzzle de peças encaixadas fora de lugar: forçadas, encravadas, e no fim não corresponde ao desenho da caixa, vá-se lá entender porquê.

Um dia foste embora e não nos despedimos sequer, não era preciso. Nunca nos uniu mais do que a sorte que une dois estranhos com lugares aleatoriamente juntos no comboio. Mas hoje, ao olhar para a parede em branco, lembrei-me de ti. E lembrei-me de muito mais do que gostava de ser capaz.

12.12.08

choque frontal

"talvez continue tão perdida como me apercebi que estava e que agora exista um medo paralisante de me encontrar e não gostar de quem sou."

2.12.08

a morte pelo meio

Não sei bem por onde começar. Quando a monotonia se instala durante algum tempo, a tendência é para que depois aconteça tudo de uma vez. O coração quase que pára, mas não. Ainda não é desta. As pessoas morrem de muitas formas, outras nunca morrem. Death and taxes. Mas nem isso. Cada vez tenho menos certezas e ainda bem. Começo a gostar.

Percebo pouco sobre a vida, e ainda menos sobre o amor. Sou sozinho, e a paixão tem por hábito trazer ao de cima o pior em mim. Nunca percebi esta contradição. Ando por aí à deriva e não me sinto perdido. Um passo a seguir ao outro. Sem mais a acrescentar. Estranho? Talvez. Mas nem por isso confuso. As coisas sucedem-se, umas depois das outras sem dar tempo para respirar. Saí de casa, voltei quando a tempestade passou. A morte pelo meio.

tear you apart*





*she wants revenge