13.2.09

short film #1 - A Thousand Words


A Thousand Words from Ted Chung on Vimeo.

Obrigado, #1*

23.1.09

Save Miguel

6.1.09

Entre aqueles dois quadros, consigo imaginar o desenho que me desenhaste e nunca chegaste a oferecer. Mas ainda me lembro dele. Do desenho em si apenas de forma vaga. Um esboço do teu esboço. Lembro-me de mo mostrares ao longe, porque “de perto notam-se as imperfeições”. Disseste: vou fazer outro, melhor. Mal nos conhecíamos, e digo isto como se hoje fosse diferente, como se nos conhecêssemos melhor. É mais fácil assim. Na verdade, ninguém pode conhecer quem seja para além de si mesmo, nem isso. É mais fácil, tudo o que vá mais além é assustador, o que não é difícil. Quase tudo me apavora terrivelmente. O amor é uma dessas coisas, mas não vem a propósito. Poupamos trabalho e dedicamo-nos a outros desafios.

Gostava de poder ter esse desenho na parede. Hoje, resto único daquilo que poderíamos ter sido e nunca fomos e ainda bem. Talvez preenchesse um outro vazio qualquer que não o que tu deixaste. Afinal, funcionamos todos assim: compensamos umas coisas com as outras e chegamos ao fim e não fizemos nada porque sim. Faz parte, não é? Somos um puzzle de peças encaixadas fora de lugar: forçadas, encravadas, e no fim não corresponde ao desenho da caixa, vá-se lá entender porquê.

Um dia foste embora e não nos despedimos sequer, não era preciso. Nunca nos uniu mais do que a sorte que une dois estranhos com lugares aleatoriamente juntos no comboio. Mas hoje, ao olhar para a parede em branco, lembrei-me de ti. E lembrei-me de muito mais do que gostava de ser capaz.

12.12.08

choque frontal

"talvez continue tão perdida como me apercebi que estava e que agora exista um medo paralisante de me encontrar e não gostar de quem sou."

2.12.08

a morte pelo meio

Não sei bem por onde começar. Quando a monotonia se instala durante algum tempo, a tendência é para que depois aconteça tudo de uma vez. O coração quase que pára, mas não. Ainda não é desta. As pessoas morrem de muitas formas, outras nunca morrem. Death and taxes. Mas nem isso. Cada vez tenho menos certezas e ainda bem. Começo a gostar.

Percebo pouco sobre a vida, e ainda menos sobre o amor. Sou sozinho, e a paixão tem por hábito trazer ao de cima o pior em mim. Nunca percebi esta contradição. Ando por aí à deriva e não me sinto perdido. Um passo a seguir ao outro. Sem mais a acrescentar. Estranho? Talvez. Mas nem por isso confuso. As coisas sucedem-se, umas depois das outras sem dar tempo para respirar. Saí de casa, voltei quando a tempestade passou. A morte pelo meio.

tear you apart*





*she wants revenge

21.11.08

days with my father


O coração contorce-se em cada imagem, as lágrimas quase que deslizam pela cara: aqui.

agradecimento

Obrigado a todos os que por aqui vão passando e comentando apesar da inconstância deste blog.

Obrigado.

=) [ ] *

causa-consequência

Os acontecimentos decorrem ao longo do tempo como consequência de uma qualquer causa. Começam e acabam em momentos facilmente identificáveis. Parece simples, não parece? Mas não é. Há sempre algo que nos faz voltar, e a saudade não explica tudo. Provavelmente não explica absolutamente nada. De nós, ficou o silêncio que nos era tudo (e que agora é mesmo tudo). Um fosso intransponível.

Sei cada vez menos, como qualquer outro. Acumulo memórias que não arquivo devidamente. Prendo-as às coisas para que não desapareçam e agarro-me ao que fomos. É a única forma de esquecer o que hoje somos. É a solução mais saudável, a única forma de continuar. É um bicho estranho, o humano.

Somos, ou éramos, ou fomos. Confundo facilmente os tempos verbais quando falo de ti. Em pensamento é menos confuso. Somos, perdão, fomos perfeitos. Em tudo: nos sorrisos, nos abraços, nos risos, nas palavras, nos momentos, nas conversas noite fora e dia também, nos filmes, na música. Fomos mais do mesmo e soubemo-nos bem assim. Faltou-nos o mais importante: gostar. Gostar um do outro como se nada mais houvesse para gostar. Ou simplesmente gostar: como quem gosta mais da manhã ou da noite. Fomos mais do mesmo e soubemo-nos bem assim. Enquanto durou.

Há sempre algo que nos faz voltar. Se é que se pode voltar a algo que nunca chegámos a acabar. A saudade não explica nada. Quando nada mais sobra, quando tudo parece perdido e só nos temos a nós somos (éramos, desculpa, mas não podemos continuar assim) o oásis que nos esconde do mundo. Depois endireitamos os ombros, erguemos a cabeça, olhamos à volta e os dias já não são tão escuros. Enchemo-nos de força e deixamos de nos achar tão perfeitos assim. Afinal, nem sequer gostamos. Mas, bem sei, acabamos por voltar. É irresistível. A saudade não explica nada.