2.12.08

a morte pelo meio

Não sei bem por onde começar. Quando a monotonia se instala durante algum tempo, a tendência é para que depois aconteça tudo de uma vez. O coração quase que pára, mas não. Ainda não é desta. As pessoas morrem de muitas formas, outras nunca morrem. Death and taxes. Mas nem isso. Cada vez tenho menos certezas e ainda bem. Começo a gostar.

Percebo pouco sobre a vida, e ainda menos sobre o amor. Sou sozinho, e a paixão tem por hábito trazer ao de cima o pior em mim. Nunca percebi esta contradição. Ando por aí à deriva e não me sinto perdido. Um passo a seguir ao outro. Sem mais a acrescentar. Estranho? Talvez. Mas nem por isso confuso. As coisas sucedem-se, umas depois das outras sem dar tempo para respirar. Saí de casa, voltei quando a tempestade passou. A morte pelo meio.

tear you apart*





*she wants revenge

21.11.08

days with my father


O coração contorce-se em cada imagem, as lágrimas quase que deslizam pela cara: aqui.

agradecimento

Obrigado a todos os que por aqui vão passando e comentando apesar da inconstância deste blog.

Obrigado.

=) [ ] *

causa-consequência

Os acontecimentos decorrem ao longo do tempo como consequência de uma qualquer causa. Começam e acabam em momentos facilmente identificáveis. Parece simples, não parece? Mas não é. Há sempre algo que nos faz voltar, e a saudade não explica tudo. Provavelmente não explica absolutamente nada. De nós, ficou o silêncio que nos era tudo (e que agora é mesmo tudo). Um fosso intransponível.

Sei cada vez menos, como qualquer outro. Acumulo memórias que não arquivo devidamente. Prendo-as às coisas para que não desapareçam e agarro-me ao que fomos. É a única forma de esquecer o que hoje somos. É a solução mais saudável, a única forma de continuar. É um bicho estranho, o humano.

Somos, ou éramos, ou fomos. Confundo facilmente os tempos verbais quando falo de ti. Em pensamento é menos confuso. Somos, perdão, fomos perfeitos. Em tudo: nos sorrisos, nos abraços, nos risos, nas palavras, nos momentos, nas conversas noite fora e dia também, nos filmes, na música. Fomos mais do mesmo e soubemo-nos bem assim. Faltou-nos o mais importante: gostar. Gostar um do outro como se nada mais houvesse para gostar. Ou simplesmente gostar: como quem gosta mais da manhã ou da noite. Fomos mais do mesmo e soubemo-nos bem assim. Enquanto durou.

Há sempre algo que nos faz voltar. Se é que se pode voltar a algo que nunca chegámos a acabar. A saudade não explica nada. Quando nada mais sobra, quando tudo parece perdido e só nos temos a nós somos (éramos, desculpa, mas não podemos continuar assim) o oásis que nos esconde do mundo. Depois endireitamos os ombros, erguemos a cabeça, olhamos à volta e os dias já não são tão escuros. Enchemo-nos de força e deixamos de nos achar tão perfeitos assim. Afinal, nem sequer gostamos. Mas, bem sei, acabamos por voltar. É irresistível. A saudade não explica nada.

20.11.08

paris je t'aime



excerto do filme "Paris Je T'aime" intitulado "Faubourg Saint-Denis".

28.10.08

não és tu, sou eu.

Tiras-me o coração do sítio. Às vezes pergunto-me se valerá a pena. Os suspiros afiados, isto é. As noites que se estendem até ser dia. Os dias a subtraírem-se uns aos outros e talvez me façam falta depois. Não sei para onde vou. São quase oito da noite e é possível que me tenha enganado no caminho para casa. Os dias estão mais curtos e há algo de reconfortante nisso.

Pousei as malas que não tenciono desfazer. Descalcei-me. Espero ter trazido tudo excepto o coração. Faz-me esse último favor: guarda-o até conseguir arranjar-lhe de novo espaço no peito. Não quero confundir depressão com melancolia. Por enquanto não. Ainda é cedo para viver e não vale a pena ter pressa em voltar. Talvez esconda as malas num armário para não me lembrar delas, talvez as deite fora. Tiras-me o coração do sítio.

Talvez vá a Paris. Talvez aprenda finalmente a tocar piano. Gostava de saber cantar. Ou dançar. Um dia talvez comece de novo. Não olhaste para trás quando te despediste. Disse-te: não és tu, sou eu. Acho que te disse: conheci outra pessoa. E podia ter dito qualquer coisa que te fizesse não voltar atrás. Preciso da solidão mais que tudo. Agora tenho dúvidas. Talvez me arrependa. Talvez não. Por via das dúvidas, acendo um cigarro que me sabe mal. Disse-te: não és tu, sou eu. E sou mesmo. Nem os pés contra o chão de madeira me demovem disso. No meio do caos há pessoas diferentes das outras. Produtos defeituosos com excesso de coração e pensamento. Sim, vivo demasiado em mim e às vezes não tenho espaço para mais ninguém. Não és tu, sou eu. Tenho mais prazer numa vida imaginada – em ilusões, sonhos que nunca passam disso mesmo, em antecipações de qualquer coisa que pode acontecer –, que nas coisas demasiado reais. Talvez um dia comece de novo e seja diferente.

Mas, sabes, o problema é que são muito poucos os inícios que valem a pena continuar. A primeira vez é sagrada. E sempre melhor. Insistir é apenas a tentativa de regressar a algo que jamais se pode voltar a sentir. Não vale a pena. Na maior parte das vezes nem é preciso começar. O melhor é sempre a incerteza do que está para acontecer. A dúvida de que possa acontecer. É a adrenalina e sei lá que hormonas mais a acelerar pelas veias feitas auto-estradas. A expectativa. Aqueles últimos dois segundos antes do primeiro beijo. Sim, também me pareceram pelo menos trinta segundos quando nos beijámos a primeira vez: tínhamos ido ver um filme francês, passado em Montmartre, quis mostrar-te aquelas ruas antes de te levar lá. Repetimos a sucessão de beijos da cena: na bochecha, no pescoço, no olho. Primeiro eu a ti, depois tu a mim. Só então os lábios se tocaram. No final, sorrimos e saímos de mãos dadas. Mas isso foi antes.

O problema é parar. É um vício que nos assalta o cérebro. Valemo-nos de tudo para não esquecer aquilo que procuramos e, ainda assim, acabamos sempre cair exaustos sem saber o que procuramos ao certo. O problema é começar de novo: encaixar o coração de volta e partir à procura daquilo que nunca existiu.

Disse-te: não és tu, sou eu. Agora tenho dúvidas. Talvez me arrependa. Talvez não. Esperei junto ao telefone que ligasses só para não atender. Esfreguei os pés um no outro. Tenho saudades. Talvez me arrependa. Talvez não. O que eu não esperava é que tu soubesses que nada me fará mudar de ideias. Agora não importa. É demasiado tarde e as intenções não contam para nada.

31.7.08

adeus

As despedidas surgem sempre fora de tempo.











adeus.

20.7.08

Talvez seja melhor assim. Sem palavras pesadas e mergulhados em silêncio. Eu viro costas e tu também. Os caminhos separam-se num até já e com demasiado por dizer. Não vale a pena insistir. Digo-te que vou comprar tabaco, que vou ter que ficar a trabalhar até tarde. Qualquer coisa simples. Que se perceba que é mentira, mas que seja incontestável. Se chegámos até aqui foi por mero acaso. Uma coincidência delimitada no espaço e no tempo. Nada nos empurra para a frente. Talvez seja melhor assim.