se eu quero estar contigo e tu queres estar comigo porquê continuar este jogo? porquê que não ficamos os dois simplesmente lado a lado, porque não nos abraçamos e beijamos e amamos, porquê? porquê continuar este jogo de gato e rato? porque a sedução não é mais que jogar às escondidas sentimentais...
odeio estes jogos ridículos em que sou obrigado a fingir que não te quero, que sou obrigado a dar passos em frente e atrás. para quê conquistar-te se já te conquistei? para quê convencer-te de que te desejo se já o sabes... enfim... não sei que mais dizer... que mais te dizer... estou aqui e sou teu, mesmo que não me queiras conquistar...
odeio saber o fim antes do fim...
2.3.04
29.2.04
as coisas têm sempre uma solução simples... complico sempre... procuro o paraíse em ilhas desertas longínquas quando ele está ao alcance da mão. procuro saídas em paredes sem portas. evito o mar por causa dos monstros que sei que não existem mas que temo ainda assim. se eu soubesse gritar...
se soubesse... era livre... voava num sussurro de uma qualquer voz que ouvisse. escolhi a loucura, sim, escolhi, e na escolha descobri a liberdade. o poder de dizer sim ou dizer não. o poder de me esquivar do destino se tal coisa existir. escolhi o mundo do que não existe, escolhi a sedução. escolhi viver quando é mais fácil morrer, quando é mais fácil ficar sentado em frente ao rio esperando que a corrente mude de sentido. escolhi a vida sem a certeza do que isso possa significar...
28.2.04
27.2.04
não consigo quebrar este silêncio que deixaste para trás. na cara um sorriso que não consigo descolar. tenho medo de falar. tenho medo de escrever. tenho medo de pensar e deixar de sentir o toque dos teus lábios sobre os meus. o toque do teu corpo contra o meu. tenho agora um sonho que não quero perder. tive-te a ti e tive-me a mim de volta e tive nos meus braços a areia que resiste à fúria do mar, e o relampâgo que ofusca o luar.
tive-te a ti, nos meus braços, e não te quis largar. mas tu disseste tenho que ir. beijaste-me uma última vez e sorriste. disseste até amanhã. quando já ias embora ainda olhaste para trás e eu sorri-te, porque não conseguia senão sorrir. fechei a porta. desde então repito na memória a recordação daquele beijo. vezes e vezes e vezes sem conta para ter a certeza que não me foge. o silêncio foi inevitável. o teu cheiro ainda se sente. o teu sabor ainda me sobra na boca.
anseio pelo teu amor...
26.2.04
gostava que soubesses que, neste preciso momento, estou a pensar em ti. escrevo para ti. porque gostava que estivesses aqui a sussurar-me ao ouvido estas palavras que vou delineando. porque estar contigo é sentir-me vivo. o som do teu riso enche-me de uma sensação abstracta que eu penso ser felicidade, que só pode ser felicidade. porque a cada instante anseio pelo suave toque da tua mão sobre a minha, dos teus dedos entrelaçados nos meus. porque o teu corpo me enche de desejo. porque tu me completas e me fazes sorrir. tens esse dom. gostava que soubesses que agora me vou deitar pensando apenas em voltar a ter-te por perto. gostava que soubesses isto... gostava que, neste momento, também pensasses em mim...
anseio pelo teu beijo...
25.2.04
hoje, peguei no carro e viajei à deriva. aleatoriamente virei à esquerda ou à direita. sítios que não conhecia e continuo sem conhecer. absorvo-me no pensamento e o carro é apenas um pretexto para pensar. penso demasiado, eu sei. réstias de masoquismo que não consigo evitar.
a certa altura parei o carro numa praia que não sei qual. olhei-me um pouco no mar e voltei. da mesma forma que lá cheguei regressei. fui a casa, peguei na mala e fui para a estação. meti-me num comboio, onde tudo me é familiar, e voltei a lisboa. quando a estação começou a afastar-se pensei já não pertenço aqui.
22.2.04
hoje percebi que há decisões que têm que ser tomadas... hoje soube que, por vezes, o melhor a fazer é apagar alguém da nossa vida. não sei bem como. não sei bem por onde começar...
arranco as fotos da parede. passo em revista todos os albúns de música e separo aqueles que me fazem lembrar de ti, meto-os num saco com a promessa de os dar alguém. faço o mesmo com os livros, com os filmes. pego nas cartas que me escreveste e queimo-as na lareira junto com as fotos. tomo um banho para excomungar do meu corpo todas as réstias do teu perfume. deito-me, na esperança que dormindo te consiga esquecer definitivamente.
às vezes é melhor assim, caminhos separados. vidas separadas. agora é, de certeza, melhor assim...
adeus...
21.2.04
«Nenhum homem é uma ILHA isolada; cada homem é uma partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA; se um TORRÃO é arrastado para o MAR, a EUROPA fica diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO, como se fosse a CASA dos teus AMIGOS ou a TUA PRÓPRIA; a MORTE de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do GÉNERO HUMANO. E por isso não perguntes por quem os SINOS dobram; eles dobram por TI»
- John Donne
