28.2.04

sinto demasiado a tua falta...

27.2.04

não consigo quebrar este silêncio que deixaste para trás. na cara um sorriso que não consigo descolar. tenho medo de falar. tenho medo de escrever. tenho medo de pensar e deixar de sentir o toque dos teus lábios sobre os meus. o toque do teu corpo contra o meu. tenho agora um sonho que não quero perder. tive-te a ti e tive-me a mim de volta e tive nos meus braços a areia que resiste à fúria do mar, e o relampâgo que ofusca o luar.

tive-te a ti, nos meus braços, e não te quis largar. mas tu disseste tenho que ir. beijaste-me uma última vez e sorriste. disseste até amanhã. quando já ias embora ainda olhaste para trás e eu sorri-te, porque não conseguia senão sorrir. fechei a porta. desde então repito na memória a recordação daquele beijo. vezes e vezes e vezes sem conta para ter a certeza que não me foge. o silêncio foi inevitável. o teu cheiro ainda se sente. o teu sabor ainda me sobra na boca.

anseio pelo teu amor...

26.2.04

gostava que soubesses que, neste preciso momento, estou a pensar em ti. escrevo para ti. porque gostava que estivesses aqui a sussurar-me ao ouvido estas palavras que vou delineando. porque estar contigo é sentir-me vivo. o som do teu riso enche-me de uma sensação abstracta que eu penso ser felicidade, que só pode ser felicidade. porque a cada instante anseio pelo suave toque da tua mão sobre a minha, dos teus dedos entrelaçados nos meus. porque o teu corpo me enche de desejo. porque tu me completas e me fazes sorrir. tens esse dom. gostava que soubesses que agora me vou deitar pensando apenas em voltar a ter-te por perto. gostava que soubesses isto... gostava que, neste momento, também pensasses em mim...

anseio pelo teu beijo...

25.2.04

hoje, peguei no carro e viajei à deriva. aleatoriamente virei à esquerda ou à direita. sítios que não conhecia e continuo sem conhecer. absorvo-me no pensamento e o carro é apenas um pretexto para pensar. penso demasiado, eu sei. réstias de masoquismo que não consigo evitar.

a certa altura parei o carro numa praia que não sei qual. olhei-me um pouco no mar e voltei. da mesma forma que lá cheguei regressei. fui a casa, peguei na mala e fui para a estação. meti-me num comboio, onde tudo me é familiar, e voltei a lisboa. quando a estação começou a afastar-se pensei já não pertenço aqui.

22.2.04

hoje percebi que há decisões que têm que ser tomadas... hoje soube que, por vezes, o melhor a fazer é apagar alguém da nossa vida. não sei bem como. não sei bem por onde começar...

arranco as fotos da parede. passo em revista todos os albúns de música e separo aqueles que me fazem lembrar de ti, meto-os num saco com a promessa de os dar alguém. faço o mesmo com os livros, com os filmes. pego nas cartas que me escreveste e queimo-as na lareira junto com as fotos. tomo um banho para excomungar do meu corpo todas as réstias do teu perfume. deito-me, na esperança que dormindo te consiga esquecer definitivamente.

às vezes é melhor assim, caminhos separados. vidas separadas. agora é, de certeza, melhor assim...

adeus...

21.2.04

«Nenhum homem é uma ILHA isolada; cada homem é uma partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA; se um TORRÃO é arrastado para o MAR, a EUROPA fica diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO, como se fosse a CASA dos teus AMIGOS ou a TUA PRÓPRIA; a MORTE de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do GÉNERO HUMANO. E por isso não perguntes por quem os SINOS dobram; eles dobram por TI»

- John Donne

20.2.04

agora que tudo acalmou as coisas parecem diferentes, mais óbvias. as dúvidas desfeitas. tenho, agora, a certeza que o que mais odeio em mim é gostar de ti...

19.2.04

hoje, quero que o mundo se foda. sim, que se foda. não quero que o mundo se lixe, não quero que o mundo se enxergue em merda. quero que o mundo se F-O-D-A! estou farto de manter a calma. estou farto de perder sempre. estou farto! farto! farto! farto! farto de não ser respeitado, farto de amar e não ser amado. farto de gritar e ninguém ouvir. farto de em cada momento que estou contigo te querer beijar e não poder. farto de esperar por algo que não vai chegar nunca. farto de pensar. farto de ver o futuro e só ver a minha morte. ESTOU FARTO, FODA-SE! FARTO!

estou farto de não te ter... acabou... tem que acabar... tem que acabar aquilo que nunca começou...

18.2.04

a noite invadiu o quarto ao acordar. no prédio em frente, as luzes vão-se acendendo aos poucos, o reboliço da rua passa para dentro das casas. acendo também a luz sabendo que ninguém repara. desfolheio um jornal já antigo com a certeza que hoje o mundo continua igual porque assim é desde que existem homens. penso em mim através de ti. penso em ti e no momento que nunca chega.

estou contigo e o momento não chega nunca. o momento em que te ponho a mão na perna e suavemente te entregas. o momento em que te olho e tu me pedes beija-me. o momento em que aquele amor que parece não chegar nunca chega. e naqueles momentos entre as luzes do prédio em frente se começarem a apagar e o dia invadir o quarto ao adormecer abraçar-te. e no instante precisamente antes de te entregares ao sono dizer-te baixinho gostava que este momento durasse para sempre. e só então fechar os olhos e adormecer. para sempre...