não consigo quebrar este silêncio que deixaste para trás. na cara um sorriso que não consigo descolar. tenho medo de falar. tenho medo de escrever. tenho medo de pensar e deixar de sentir o toque dos teus lábios sobre os meus. o toque do teu corpo contra o meu. tenho agora um sonho que não quero perder. tive-te a ti e tive-me a mim de volta e tive nos meus braços a areia que resiste à fúria do mar, e o relampâgo que ofusca o luar.
tive-te a ti, nos meus braços, e não te quis largar. mas tu disseste tenho que ir. beijaste-me uma última vez e sorriste. disseste até amanhã. quando já ias embora ainda olhaste para trás e eu sorri-te, porque não conseguia senão sorrir. fechei a porta. desde então repito na memória a recordação daquele beijo. vezes e vezes e vezes sem conta para ter a certeza que não me foge. o silêncio foi inevitável. o teu cheiro ainda se sente. o teu sabor ainda me sobra na boca.
anseio pelo teu amor...
27.2.04
26.2.04
gostava que soubesses que, neste preciso momento, estou a pensar em ti. escrevo para ti. porque gostava que estivesses aqui a sussurar-me ao ouvido estas palavras que vou delineando. porque estar contigo é sentir-me vivo. o som do teu riso enche-me de uma sensação abstracta que eu penso ser felicidade, que só pode ser felicidade. porque a cada instante anseio pelo suave toque da tua mão sobre a minha, dos teus dedos entrelaçados nos meus. porque o teu corpo me enche de desejo. porque tu me completas e me fazes sorrir. tens esse dom. gostava que soubesses que agora me vou deitar pensando apenas em voltar a ter-te por perto. gostava que soubesses isto... gostava que, neste momento, também pensasses em mim...
anseio pelo teu beijo...
25.2.04
hoje, peguei no carro e viajei à deriva. aleatoriamente virei à esquerda ou à direita. sítios que não conhecia e continuo sem conhecer. absorvo-me no pensamento e o carro é apenas um pretexto para pensar. penso demasiado, eu sei. réstias de masoquismo que não consigo evitar.
a certa altura parei o carro numa praia que não sei qual. olhei-me um pouco no mar e voltei. da mesma forma que lá cheguei regressei. fui a casa, peguei na mala e fui para a estação. meti-me num comboio, onde tudo me é familiar, e voltei a lisboa. quando a estação começou a afastar-se pensei já não pertenço aqui.
22.2.04
hoje percebi que há decisões que têm que ser tomadas... hoje soube que, por vezes, o melhor a fazer é apagar alguém da nossa vida. não sei bem como. não sei bem por onde começar...
arranco as fotos da parede. passo em revista todos os albúns de música e separo aqueles que me fazem lembrar de ti, meto-os num saco com a promessa de os dar alguém. faço o mesmo com os livros, com os filmes. pego nas cartas que me escreveste e queimo-as na lareira junto com as fotos. tomo um banho para excomungar do meu corpo todas as réstias do teu perfume. deito-me, na esperança que dormindo te consiga esquecer definitivamente.
às vezes é melhor assim, caminhos separados. vidas separadas. agora é, de certeza, melhor assim...
adeus...
21.2.04
«Nenhum homem é uma ILHA isolada; cada homem é uma partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA; se um TORRÃO é arrastado para o MAR, a EUROPA fica diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO, como se fosse a CASA dos teus AMIGOS ou a TUA PRÓPRIA; a MORTE de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do GÉNERO HUMANO. E por isso não perguntes por quem os SINOS dobram; eles dobram por TI»
- John Donne
20.2.04
agora que tudo acalmou as coisas parecem diferentes, mais óbvias. as dúvidas desfeitas. tenho, agora, a certeza que o que mais odeio em mim é gostar de ti...
19.2.04
hoje, quero que o mundo se foda. sim, que se foda. não quero que o mundo se lixe, não quero que o mundo se enxergue em merda. quero que o mundo se F-O-D-A! estou farto de manter a calma. estou farto de perder sempre. estou farto! farto! farto! farto! farto de não ser respeitado, farto de amar e não ser amado. farto de gritar e ninguém ouvir. farto de em cada momento que estou contigo te querer beijar e não poder. farto de esperar por algo que não vai chegar nunca. farto de pensar. farto de ver o futuro e só ver a minha morte. ESTOU FARTO, FODA-SE! FARTO!
estou farto de não te ter... acabou... tem que acabar... tem que acabar aquilo que nunca começou...
18.2.04
a noite invadiu o quarto ao acordar. no prédio em frente, as luzes vão-se acendendo aos poucos, o reboliço da rua passa para dentro das casas. acendo também a luz sabendo que ninguém repara. desfolheio um jornal já antigo com a certeza que hoje o mundo continua igual porque assim é desde que existem homens. penso em mim através de ti. penso em ti e no momento que nunca chega.
estou contigo e o momento não chega nunca. o momento em que te ponho a mão na perna e suavemente te entregas. o momento em que te olho e tu me pedes beija-me. o momento em que aquele amor que parece não chegar nunca chega. e naqueles momentos entre as luzes do prédio em frente se começarem a apagar e o dia invadir o quarto ao adormecer abraçar-te. e no instante precisamente antes de te entregares ao sono dizer-te baixinho gostava que este momento durasse para sempre. e só então fechar os olhos e adormecer. para sempre...
17.2.04
o que é que eu acho da vida? não sei, sinceramente nunca pensei demasiado sobre isso. por vezes parece-me sem sentido, demasiado repetitiva. independentemente do que se se possa fazer para a condimentar, a partir de determinado momento a vida torna-se igual em cada instante. o dia de hoje igual ao de ontem e ao de amanhã. mudam pequenos detalhes e pouco mais que isso, a alma é sempre a mesma.
a partir de certa altura fartamo-nos até mesmo de nós, e disso não podemos fugir nunca. é a nós que vemos ao espelho, é a nossa voz que ouvimos, é com os nossos olhos que vemos o mundo. sempre nós. fartamo-nos também do nosso corpo que com o tempo vai envelhecendo e mesmo assim é sempre o mesmo.
talvez seja apenas eu... talvez tudo sejam ilusões, sonhos em que vivo para desviar o pensamento da realidade quotidiana, não sei... talvez seja apenas eu...
qual era mesmo a pergunta? o que acho da vida? não sei, sinceramente, não sei, nunca pensei demasiado sobre isso...
